viernes, mayo 31, 2013
adorador
pois não ama a dor
faz a torto, nunca direito
porque não procura a dor
até que usa celular
mas não carrega a dor
traz um brinco na orelha
que não alarga a dor
tem memória e senso estético
porém não decora a dor
quando sobe vai de escada
já que não eleva a dor
embora às vezes intimide
nem sempre assusta a dor
vive bem, sem ser sovina
só que não esbanja a dor
gosta de dar nome aos bois
só não denomina a dor
é dono de seu nariz
um que não governa a dor
não se chama de liberal
e também não conserva a dor
admira e ama a Terra
contudo não lavra a dor
tenta dormir bem-te-vi
pra não acordar com dor
pensa ser só criatura
mas para sempre cria a dor
domingo, mayo 05, 2013
Ego
dito maldito ego
de vez em quando te pego
controlando a minha vida
entidade enxerida
larga logo do meu pé
e me deixa ser
pare de fingir que é
trate de morrer
miércoles, abril 03, 2013
ângulo notável
você é tão direta
esse olhar em linha reta
toda quina, canto, aresta
esse amor, meu bem, não presta
se és fria e calculista
eu sou quente e letrista
pode ser que a gente insista
pode ser que nem exista
se eu penso e logo hesito
exit já pela saída
se a entrada é a própria vida
paro tenso, admito
viernes, febrero 15, 2013
lemins que
martes, enero 08, 2013
Uma canção e uma história
Em 2006 eu formei minha própria banda, a Cajamarca, e Como se Fosse sempre fez parte do nosso repertório. Eis um registro de 2009.
Em 2010 eu tive o prazer de descobrir no YouTube registros históricos do lendário show Tocarina, do qual meu pai sempre falou com paixão, como se fosse um dos maiores momentos da carreira dele como músico. Não sei como o produtor e idealizador Pierre Simões conseguiu recuperar essas imagens, mas serei eternamente grato por isso. Pela primeira vez eu pude ver o que antes só podia imaginar.
E graças à bênção do recurso de vídeos relacionados, descobri também essa versão de uma banda chamada Entressafra. Duas pessoas muito queridas, o casal de músicos Rui e Regina, que aparecem nessas fotos e vídeo, também se ligam à minha história, mas essa é uma outra história. ;)
Finalmente, entre 2011 e 2012 a Cajamarca entrou em estúdio mais uma vez. Sob a direção e produção do nosso tecladista Florisvaldo Machado, gravamos a versão mais recente da Como se Fosse. Foi muito bom poder registrar, também, o lindo solo de violão de um dos meus melhores amigos na vida, Danilo Moraes. A percussão é trabalho do grande músico Leander Motta. Espero que gostem.
Fim?
martes, diciembre 11, 2012
Samsara
lunes, febrero 15, 2010
Carcará
viernes, enero 08, 2010
Poeta Enrustido
É do conhecimento comum de toda a comunidade universal a singularidade do método reprodutivo dos homo-sapiens-sapiens. Não há nesta esfera nenhum ato tão sádico, apaixonado e ironicamente belo. A fonte única de tamanha beleza está obviamente na mulher. De fato, é nisso que ele está pensando, neste exato momento, enquanto contempla a perfeição das curvas, a precisão dos pontos de maciez e a inexplicável cor do corpo sonolento de sua amada, após uma noite de amor pulsante. Ela, em sua sensibilidade feminina, percebe no ar o teor sublime do instante e indaga:
- Que foi?
Mas não há resposta que se digne, não há palavras em nenhum idioma que possam transparecer uma vaga idéia daquilo que é nesse momento e para sempre será o objeto do seu regozijo visual. Agradece a Deus por ter olhos. E mãos.
- Você é linda.
- ‘Brigada.
- Obrigado a você.
Ela sorri. Ele é poeta, claro. Aquele tipo de homem que acha poético não ser poeta. Modesto, falsamente. "Poeta, eu? Quem me dera... quem me dera..." Sempre naquele ar melancólico de artista solitário, mas que não é artista, imagine, "quem sou eu..." Ela:
- Você tá daquele jeito de novo.
- Que jeito?
- Você sabe... poeteiro.
- Ora, que bobagem.
- Olha que cresce pêlo na mão, hem...
Riem, brincam com os travesseiros, recomeçando descontraidamente a velha discussão. Ela encosta o dedo sem esmalte na ponta do nariz dele, cantarolando.
- Poetinha, poetinha...
- Não so-ou, não so-ou...
- É si-im, é si-im...
- Ora, deixe disso.
Não era poeta, que coisa. Só porque tinha um violão, fumava e gostava de olhar o pôr-do-sol, admirando os tons de amarelo e laranja avermelhado pegarem fogo e sumirem num oceano azul que gradualmente se torna negro e salpicado de tremeluzentes pontículos brilhantes? Ela olha pra ele com aquela cara de paciência complacente.
- Pontículos, amor?
- Qual é o problema?
- Neologismo é coisa de poeta.
- Isso não é neologismo, é licença poétic...
- A-HÁÁÁÁ!
Ele fica vermelho de raiva, sabe que errou, quase falou besteira, ela era capciosa, sagaz, e a expressão de triunfo dela aumentava sua indignação.
- Boba!
- Enrustido!
- Não sou!
- É sim!
- A palavra existe, tá? Pergunta pro Houaiss!
- Quê?
- Esquece!
Não existia, ele já procurou. Existia pontícula, mas ela não ia cair nessa. Ela era realmente sagaz, irresoluta, talvez por isso ele se apaixonara. Contradições de poeta. Talvez no Aurélio tenha, ele pensa, mas não se anima para procurar. Eles ficam calados, emburrados, brabos, de braços cruzados por uns bons minutos. Até que os ânimos naturalmente vão se acalmando, aos poucos. Ela toma a iniciativa.
- Benhê...
- Hum.
- Que é que tem de mais?
- Em que?
- Qual é o problema em ser poeta?
- Nenhum, mas não é pra qualquer um, eu conheço o meu lugar no mundo, sou mundano, ordinário.
"Metido", ela pensa, a fúria voltando às suas faces. "Metido, metido, metido!" Mas ela se controla, não se manifesta. Em vez disso sorri, passa a mão no rosto dele e pede:
- Admite, vai...
- Nunca.
- Por favor...
- Conforme-se, querida, você não ama um poeta. Minha veia poética é um mero capilar.
Ela não resiste. Pula na cama, ficando de pé, apontando para ele com um dedo acusador.
- Tá vendo!? Tá vendo!?
Ele peida alto e vai dormir na sala.
Seu Pinduca - parte 1
miércoles, enero 06, 2010
Memento
Hoje me ocorreu de me gabar de ter uma boa memória. Não que eu seja algum tipo de Rain Man, mas ela, minha memória, é bem curiosa. Dizem que a memória da gente é seletiva. Pois bem, o que a minha seleciona é divertido, pois não tem critério algum. Memória aleatória, eu diria. Até rima. Em geral, lembro-me muito bem da minha vida, pessoas que conheci, coisas que fiz. Em detalhes, lembro de algumas coisas importantes, sim, mas outras absolutamente banais, como trechos de conversas que fazem as pessoas dizerem “sério, eu disse isso?” quando lanço algum “lembra daquela vez...”. Dá uma sensação de poder tão efêmera quanto ilusória, mas é divertido: “pois é... eu lembro muito bem... dá mole pra você ver, conto pra todo mundo!” “Oxi, pode contar, to nem aí”. Merda, quase.
Uma vez quando eu tinha uns 6 anos eu resolvi que ia me lembrar de uma coisa para nunca mais esquecer. Estava na aulinha de judô (adulto faz aula, criança faz aulinha... com tio ao invés de professor... se bem que tio de judô a gente tem que chamar de sensei), já no finalzinho, na parte da farra da criançada, e resolvi fingir que estava dormindo. Moleque tem dessas coisas, decide fazer algo “porque sim” e faz. Fiquei “dormindo” e alucinando meus pensamentos infantis surreais enquanto o caos de lutinhas reinava à minha volta, quando resolvi “porque sim” que ia me lembrar daquele momento pra vida toda. Não precisei de nenhum motivo para isso, só fixei na cabeça que ia lembrar e pronto. Aqui estou, com vinte e tantos anos, e ainda lembro essa tolice. Thinking back, penso que deveria ter ao menos tentado aplicar uma técnica parecida no Ensino Médio, para nunca mais esquecer física, química, matemática e biologia, o combo do inferno. Se errar é humanas, já nasci errado. E errante pra caralho. Falando nisso, uma das fases da minha vida que melhor lembro é a adolescência. Infelizmente.
É meio polêmico falar isso assim na lata, mas adolescente é tudo retardado. Acha que sabe de tudo e não sabe de bosta nenhuma. Despreza todo e qualquer conselho de alguém mais velho porque tem a doce ilusão de que é um ser humano autêntico, portanto seu espectro de experiência estaria em um patamar subjetivo demais para ser compreendido por outrem. Na prática, é tudo a mesma racinha e faz sempre as mesmas merdas. E é tudo feio, pelo menos os meninos. As meninas em geral ficam até bonitinhas, mulherezinhas em miniatura. Mas os meninos ficam simplesmente bizarros. Bigodes disformes, corpo desproporcional, espinhas, voz oitavante, orelha grande, braço fino, mão grande, pedra no mamilo, hahahaha é hilário. E a vaidade comum dessa idade só deixa os idiotas mais engraçados, tentando posar de gatões. Os adolescentes podem me levar a mal, não me importo, mas sinceramente não é nada pessoal. Quer dizer, é sim, é literalmente pessoal. Meu desprezo volta-se 90% para minha própria memória de adolescente retardado. Minha memória é boa.
Quem há de discordar do teor patético (e hipotético, digamos, só para ilustrar) de um moleque como o descrito acima tentando impressionar sua colega de sala gatinha demonstrando seu engajamento político e firmeza de postura e caráter:
- Porra, foda, viu.
- O que?
- Essa sociedade.
- ... (donzela sem palavras).
Ponto.
Aqui começa a ficção.viernes, septiembre 01, 2006
Melancomundo: um presente oscilante

melandocúdetodomundo
quem é que vai limpar?
quem é que vai limpar?
freud disse: o ego come
como aperta a própria fome
como o prego finca fundo
sem a coisa o ego some
no cruel melancomundo
nesse ciclo vagabundo
vaga o ego como tal
flagelado e sujismundo
penitente e canibal
paradoxo orbital
a garganta da adenóide
é o luto em baixo-astral
como já dizia freud
o mundo é circunstancial
na oscilante expedição
surge ainda uma questão
no fugaz melancomundo
há lugar pra inspiração?
estudo trabalho dinheiro
sucesso financeiro e nada mais
o homem esqueceu por inteiro
a energia que uma nota musical lhe traz
alegria diversão coca-cola
e um monte de nome de renome pra você
alivia sua pressão, te consola
mas te come, te enrola, e você nem vê
o ego é fanfarrão
é chacrinha e é andróide
o mundo anda na contramão
era o que explicava freud
Música e letra: Los Crazy Pedros
jueves, agosto 17, 2006
canino solitário
Foto e poema by Rodrigo Mendes
miércoles, agosto 16, 2006
capuêra rarará
que ao lado da feira
tem roda de capoeira?
- vi sim sinhô
mas não, num vô
daquilo eu num sô
aquilo, dotô
não é capoeira
aquilo é quebradeira
aquilo é quebradeira
a capoeira quem me ensinô
foi o Gadelha "Corta-Orelha"
ou seu Gadelha,
meu avô
lá menor com nona

metálico esguio
cantando em dores
no banco de praça
em bocas e odores
é caro e de graça
o som se desfaz
no ar pesado
e denso do cais
luar prensado
em estreitos canais
nas cordas soando
em coro entoando
notas ancestrais
lunes, agosto 14, 2006
about:blank

o mesmo impulso insano que me fez criar essa joça me forçou a voltar aqui...
tenho a vontade insegurável de voar através da fria brasília nessas madrugadas, sentindo na espinha a solidão cósmica da cidade.
a noite parece que tem gritado mais alto nos últimos dias, a ponto de não me deixar dormir, não importando o quão cedo eu tenha acordado.
tenho preguiça.
quero tocar, pego o violão e não sai merda nenhuma.
me sentindo o estorvo mais estúpido.
sei que solidão é egocentrismo, mas fodam-se copérnico, galileu e a patota toda.
Após um longo e tenebroso inverno...
surge a luz repentina
a quebra da apatia
o despertar da agonia
a esperança enclausurada
enfim é libertada
bate asas, voa alto
se afastando do asfalto
(preciso escrever mais... incentivem-me)
domingo, junio 26, 2005
.
ex-trave - ssão
caído no chão __
@rroba trinca*
a garota pisca ;
e o pai de longe
tsc tsc tisca ¬¬
lunes, junio 20, 2005
Poema feio
Flor amarela
De maracujá
Pintura aquarela
Do sol, ao luar
Misturo arroz e centeio
Com um beijo, para ela
Faço meu poema feio
Com amor, sem receio
Com sabor de sirigüela
E cheiro de jasmim
Com umas rimas no meio
miércoles, junio 15, 2005
Contra-capa
Digo e afirmo que da minha não-falsa porém pura personalidade crítica estética quase literária que cospe raspas de carbono entre dois azuis do papiro moderno e contemporâneo que guarda o vômito inócuo da beleza ou tão-somente destreza da inspiração que inspira sólidas marionetes chamadas Marias e transpira orvalhos de lágrima abstrata por elas, e elas zipadas e voluntariamente cegas em microporos entupidos e engasgados, nem entendem a sutil paulada que ofereço a seus botões e lamentam o inútil que é útil, só sai merda.



