viernes, mayo 31, 2013

adorador

busca ser profissional
pois não ama a dor

faz a torto, nunca direito
porque não procura a dor

até que usa celular
mas não carrega a dor

traz um brinco na orelha
que não alarga a dor

tem memória e senso estético
porém não decora a dor

quando sobe vai de escada
já que não eleva a dor

embora às vezes intimide
nem sempre assusta a dor

vive bem, sem ser sovina
só que não esbanja a dor

gosta de dar nome aos bois
só não denomina a dor

é dono de seu nariz
um que não governa a dor

não se chama de liberal
e também não conserva a dor

admira e ama a Terra
contudo não lavra a dor

tenta dormir bem-te-vi
pra não acordar com dor

pensa ser só criatura
mas para sempre cria a dor

domingo, mayo 05, 2013

Ego


dito maldito ego
de vez em quando te pego
controlando a minha vida
entidade enxerida

larga logo do meu pé
e me deixa ser
pare de fingir que é
trate de morrer

miércoles, abril 03, 2013

ângulo notável


você é tão direta
esse olhar em linha reta
toda quina, canto, aresta
esse amor, meu bem, não presta

se és fria e calculista
eu sou quente e letrista
pode ser que a gente insista
pode ser que nem exista

se eu penso e logo hesito
exit já pela saída
se a entrada é a própria vida
paro tenso, admito

viernes, febrero 15, 2013

lemins que

meus poemas andam tão ruins que
pensei em perguntar a Leminski

se um dia este servo pode
ter um terço de seu verso
e metade de seu bigode


martes, enero 08, 2013

Uma canção e uma história

Lembro-me de crescer ouvindo meu pai tocar uma canção muito bonita. Muito criança, eu ainda não tinha maturidade nem vocabulário para entender o que dizia, mas a música me enfeitiçava. Não sei se era a aridez exótica da harmonia, ou talvez o fervor com que meu pai cantava os versos, em notas longas quase desesperadas. Mas certamente uma frase que ele me disse eu nunca esqueci: "fiz pra sua mãe." 



E assim a canção ficou, permeando minha memória e minha história, pois retratava o amor que me gerou e do qual não tenho lembranças conscientes, pois meus pais se separaram quando eu era bebê. Até que em algum momento antes da virada do milênio, meu pai e sua esposa à época, Ana Mariah, resolveram gravá-la. Ei-la.


Já maiorzinho à época dessa gravação, me apaixonei mais ainda por ela e descobri alguns detalhes de sua história. A harmonia, tão sublime e meio oriental, ainda que simples, é mérito de Sérgio Duboc, grande violonista e compositor de Brasília, parceiro antigo do meu pai. Reza a lenda que ele chegou para o meu pai um dia e mostrou no violão essa nova música, ainda sem letra, que ele estava fazendo. Imediatamente meu pai pegou um papel e, em uma sentada, em um fôlego, compôs a letra. Sempre imagino essas cenas com um filtro meio sépia meio filme-dos-anos-80. Minha mãe me disse que na época ela ouvia muita música latina e andina, era fã do Tarancón, e suspeita que isso tenha inspirado meu pai a escrever um pedaço da letra em espanhol.




Em 2006 eu formei minha própria banda, a Cajamarca, e Como se Fosse sempre fez parte do nosso repertório. Eis um registro de 2009.



Em 2010 eu tive o prazer de descobrir no YouTube registros históricos do lendário show Tocarina, do qual meu pai sempre falou com paixão, como se fosse um dos maiores momentos da carreira dele como músico. Não sei como o produtor e idealizador Pierre Simões conseguiu recuperar essas imagens, mas serei eternamente grato por isso. Pela primeira vez eu pude ver o que antes só podia imaginar.



E graças à bênção do recurso de vídeos relacionados, descobri também essa versão de uma banda chamada Entressafra. Duas pessoas muito queridas, o casal de músicos Rui e Regina, que aparecem nessas fotos e vídeo, também se ligam à minha história, mas essa é uma outra história. ;) 



Finalmente, entre 2011 e 2012 a Cajamarca entrou em estúdio mais uma vez. Sob a direção e produção do nosso tecladista Florisvaldo Machado, gravamos a versão mais recente da Como se Fosse. Foi muito bom poder registrar, também, o lindo solo de violão de um dos meus melhores amigos na vida, Danilo Moraes. A percussão é trabalho do grande músico Leander Motta. Espero que gostem.



Fim?


martes, diciembre 11, 2012

Samsara

Sim, de vez em quando a sensação de fim do mundo bate. A aridez e a quietude de um planeta enfim em silêncio. O cheiro da ferrugem ocre a consumir lentamente as estruturas daquilo que um dia foi considerado sólido. Ser o mar a única vista familiar, trazendo no horizonte a brisa das memórias ardentes de uma vida inevitavelmente breve. A solidão que traz gentilmente a morte do ego, que, por não ter mais a quem mostrar suas máscaras, enfim lembra-se da própria essência. O reencontro com a partícula essencial, que dissolve Maya e seus desejos. O abraço familiar da Terra, onde o tempo não existe e o espaço é tudo e nada. E afinal o conforto de saber que o fim é o começo e vice-versa, que todo sofrimento é seu aprendizado, que toda alegria é seu legado, que todo um é seu todo e você é todo um.

lunes, febrero 15, 2010

Carcará

Hoje, no topo do prédio da frente, havia um carcará. Ao lado de uma antena parabólica que, de perfil, parecia também um pássaro. Por toda parte, piavam e voavam dezenas de pardais, como fazem os pássaros nos dias lindos como este.
Mais majestoso que os ruidosos pardais e mais elegante que a antena invejosa, havia o carcará. Ouvi-o carcarando enquanto me arrastava aqui, miseravelmente, por ambientes virtuais e frios, longe do sol lá de fora. Irônico mesmo foi eu tê-lo visto através da tela de proteção da minha janela, originalmente instalada por razões de segurança infantil, hoje mantida por preguiça de tirar e, quem sabe, para frustrar algum impulso suicida. Não de minha parte, claro, que adoro viver. Menos em alguns dias. Menos hoje.
Fato é que ver o carcará me fez perceber que o sentimento negativo que me dominou hoje foi justamente o de privação da liberdade. Me senti preso por essa rede na janela, como se ela tivesse capturado e selado o prédio todo. Cativo do ninho que eu mesmo estou construindo, com tanto carinho. Pior é saber que sair de casa não bastaria, que talvez nem viajar ou pular de pára-quedas bastaria. Que o confinamento continuaria. Ele é discreto e interno.
Fiquei bons minutos observando o carcará. Tentando entender o que ele achava da vida, se se sentia solitário e incapaz em algum momento. Qualquer tentativa verbal de comunicação entre eu e o falconídeo resultaria ridícula, então tentei me comunicar telepaticamente com ele. Na falta de algo melhor para dizer, acho que acabei mentalizando algo como "troca de lugar comigo, por favor". Foi uma atitude desesperada e humilhante de minha parte, admito. E se ele captou o que eu queria dizer, acho que se ofendeu. Porque logo em seguida, esticou as pernas e fez o que eu mais queria e não podia no momento.
Voou para longe.

viernes, enero 08, 2010

Poeta Enrustido

É do conhecimento comum de toda a comunidade universal a singularidade do método reprodutivo dos homo-sapiens-sapiens. Não há nesta esfera nenhum ato tão sádico, apaixonado e ironicamente belo. A fonte única de tamanha beleza está obviamente na mulher. De fato, é nisso que ele está pensando, neste exato momento, enquanto contempla a perfeição das curvas, a precisão dos pontos de maciez e a inexplicável cor do corpo sonolento de sua amada, após uma noite de amor pulsante. Ela, em sua sensibilidade feminina, percebe no ar o teor sublime do instante e indaga:

- Que foi?

Mas não há resposta que se digne, não há palavras em nenhum idioma que possam transparecer uma vaga idéia daquilo que é nesse momento e para sempre será o objeto do seu regozijo visual. Agradece a Deus por ter olhos. E mãos.

- Você é linda.

- ‘Brigada.

- Obrigado a você.

Ela sorri. Ele é poeta, claro. Aquele tipo de homem que acha poético não ser poeta. Modesto, falsamente. "Poeta, eu? Quem me dera... quem me dera..." Sempre naquele ar melancólico de artista solitário, mas que não é artista, imagine, "quem sou eu..." Ela:

- Você tá daquele jeito de novo.

- Que jeito?

- Você sabe... poeteiro.

- Ora, que bobagem.

- Olha que cresce pêlo na mão, hem...

Riem, brincam com os travesseiros, recomeçando descontraidamente a velha discussão. Ela encosta o dedo sem esmalte na ponta do nariz dele, cantarolando.

- Poetinha, poetinha...

- Não so-ou, não so-ou...

- É si-im, é si-im...

- Ora, deixe disso.

Não era poeta, que coisa. Só porque tinha um violão, fumava e gostava de olhar o pôr-do-sol, admirando os tons de amarelo e laranja avermelhado pegarem fogo e sumirem num oceano azul que gradualmente se torna negro e salpicado de tremeluzentes pontículos brilhantes? Ela olha pra ele com aquela cara de paciência complacente.

- Pontículos, amor?

- Qual é o problema?

- Neologismo é coisa de poeta.

- Isso não é neologismo, é licença poétic...

- A-HÁÁÁÁ!

Ele fica vermelho de raiva, sabe que errou, quase falou besteira, ela era capciosa, sagaz, e a expressão de triunfo dela aumentava sua indignação.

- Boba!

- Enrustido!

- Não sou!

- É sim!

- A palavra existe, tá? Pergunta pro Houaiss!

- Quê?

- Esquece!

Não existia, ele já procurou. Existia pontícula, mas ela não ia cair nessa. Ela era realmente sagaz, irresoluta, talvez por isso ele se apaixonara. Contradições de poeta. Talvez no Aurélio tenha, ele pensa, mas não se anima para procurar. Eles ficam calados, emburrados, brabos, de braços cruzados por uns bons minutos. Até que os ânimos naturalmente vão se acalmando, aos poucos. Ela toma a iniciativa.

- Benhê...

- Hum.

- Que é que tem de mais?

- Em que?

- Qual é o problema em ser poeta?

- Nenhum, mas não é pra qualquer um, eu conheço o meu lugar no mundo, sou mundano, ordinário.

"Metido", ela pensa, a fúria voltando às suas faces. "Metido, metido, metido!" Mas ela se controla, não se manifesta. Em vez disso sorri, passa a mão no rosto dele e pede:

- Admite, vai...

- Nunca.

- Por favor...

- Conforme-se, querida, você não ama um poeta. Minha veia poética é um mero capilar.

Ela não resiste. Pula na cama, ficando de pé, apontando para ele com um dedo acusador.

- Tá vendo!? Tá vendo!?

Ele peida alto e vai dormir na sala.

Seu Pinduca - parte 1

- Acode aqui, pur favô!
Foi o menino que berrou, descendo a rua 10, pisando na fulô.
- Socorro, dotô, Seu Pinduca arriô! Como pode, nem caduca o Seu Pinduca, arriô!
Seu Pinduca era um viúvo que andava meio curvo já, por causa da artrite e de uma tal de Hepatite, que diziam ser a moça que lavava sua louça antes de bater as botas. Nem celebraram bodas, pois "a gaita que me resta não é pra fazer festa" - ele dizia. E nunca ninguém soube muito bem o que fazia, pois o velho era calado, não falava do passado. Na verdade só se dava com os guri do povoado. Apesar da sua idade ele brincava com os moleque e dava a eles uns chiclete da cidade. Contava piada e prosa fiada de atos que nunca tinha feito. E ganhava todos os campeonatos de peido. Mas a grande façanha, a coisa mais estranha que se viu ele fazer, foi ensinar a gurizada toda a ler e escrever, coisa que adulto algum jamais pôde aprender...

(continua)

miércoles, enero 06, 2010

Memento

Hoje me ocorreu de me gabar de ter uma boa memória. Não que eu seja algum tipo de Rain Man, mas ela, minha memória, é bem curiosa. Dizem que a memória da gente é seletiva. Pois bem, o que a minha seleciona é divertido, pois não tem critério algum. Memória aleatória, eu diria. Até rima. Em geral, lembro-me muito bem da minha vida, pessoas que conheci, coisas que fiz. Em detalhes, lembro de algumas coisas importantes, sim, mas outras absolutamente banais, como trechos de conversas que fazem as pessoas dizerem “sério, eu disse isso?” quando lanço algum “lembra daquela vez...”. Dá uma sensação de poder tão efêmera quanto ilusória, mas é divertido: “pois é... eu lembro muito bem... dá mole pra você ver, conto pra todo mundo!” “Oxi, pode contar, to nem aí”. Merda, quase.

Uma vez quando eu tinha uns 6 anos eu resolvi que ia me lembrar de uma coisa para nunca mais esquecer. Estava na aulinha de judô (adulto faz aula, criança faz aulinha... com tio ao invés de professor... se bem que tio de judô a gente tem que chamar de sensei), já no finalzinho, na parte da farra da criançada, e resolvi fingir que estava dormindo. Moleque tem dessas coisas, decide fazer algo “porque sim” e faz. Fiquei “dormindo” e alucinando meus pensamentos infantis surreais enquanto o caos de lutinhas reinava à minha volta, quando resolvi “porque sim” que ia me lembrar daquele momento pra vida toda. Não precisei de nenhum motivo para isso, só fixei na cabeça que ia lembrar e pronto. Aqui estou, com vinte e tantos anos, e ainda lembro essa tolice. Thinking back, penso que deveria ter ao menos tentado aplicar uma técnica parecida no Ensino Médio, para nunca mais esquecer física, química, matemática e biologia, o combo do inferno. Se errar é humanas, já nasci errado. E errante pra caralho. Falando nisso, uma das fases da minha vida que melhor lembro é a adolescência. Infelizmente.

É meio polêmico falar isso assim na lata, mas adolescente é tudo retardado. Acha que sabe de tudo e não sabe de bosta nenhuma. Despreza todo e qualquer conselho de alguém mais velho porque tem a doce ilusão de que é um ser humano autêntico, portanto seu espectro de experiência estaria em um patamar subjetivo demais para ser compreendido por outrem. Na prática, é tudo a mesma racinha e faz sempre as mesmas merdas. E é tudo feio, pelo menos os meninos. As meninas em geral ficam até bonitinhas, mulherezinhas em miniatura. Mas os meninos ficam simplesmente bizarros. Bigodes disformes, corpo desproporcional, espinhas, voz oitavante, orelha grande, braço fino, mão grande, pedra no mamilo, hahahaha é hilário. E a vaidade comum dessa idade só deixa os idiotas mais engraçados, tentando posar de gatões. Os adolescentes podem me levar a mal, não me importo, mas sinceramente não é nada pessoal. Quer dizer, é sim, é literalmente pessoal. Meu desprezo volta-se 90% para minha própria memória de adolescente retardado. Minha memória é boa.

Quem há de discordar do teor patético (e hipotético, digamos, só para ilustrar) de um moleque como o descrito acima tentando impressionar sua colega de sala gatinha demonstrando seu engajamento político e firmeza de postura e caráter:

- Porra, foda, viu.

- O que?

- Essa sociedade.

- ... (donzela sem palavras).

Ponto.

Aqui começa a ficção.

viernes, septiembre 01, 2006

Melancomundo: um presente oscilante


melancomundo melancomundo
melandocúdetodomundo
quem é que vai limpar?
quem é que vai limpar?

freud disse: o ego come
como aperta a própria fome
como o prego finca fundo
sem a coisa o ego some

no cruel melancomundo
nesse ciclo vagabundo
vaga o ego como tal
flagelado e sujismundo
penitente e canibal
paradoxo orbital

a garganta da adenóide
é o luto em baixo-astral
como já dizia freud
o mundo é circunstancial

na oscilante expedição
surge ainda uma questão
no fugaz melancomundo
há lugar pra inspiração?

estudo trabalho dinheiro
sucesso financeiro e nada mais
o homem esqueceu por inteiro
a energia que uma nota musical lhe traz
alegria diversão coca-cola
e um monte de nome de renome pra você
alivia sua pressão, te consola
mas te come, te enrola, e você nem vê

o ego é fanfarrão
é chacrinha e é andróide
o mundo anda na contramão
era o que explicava freud


Música e letra: Los Crazy Pedros

jueves, agosto 17, 2006

canino solitário



Aos olhos da lua
um vira-lata escreve
na rua
O sol apaga o poste
antes
que o mijo encoste


Foto e poema by Rodrigo Mendes

miércoles, agosto 16, 2006

capuêra rarará


- ô moleque maculelê
será que não vê
que ao lado da feira
tem roda de capoeira?

- vi sim sinhô
mas não, num vô
daquilo eu num sô
aquilo, dotô
não é capoeira
aquilo é quebradeira
aquilo é quebradeira
a capoeira quem me ensinô
foi o Gadelha "Corta-Orelha"
ou seu Gadelha,
meu avô

lá menor com nona



violão vadio
metálico esguio
cantando em dores
no banco de praça
em bocas e odores
é caro e de graça

o som se desfaz
no ar pesado
e denso do cais
luar prensado
em estreitos canais
nas cordas soando
em coro entoando
notas ancestrais


Valew, brother.

lunes, agosto 14, 2006

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o mesmo impulso insano que me fez criar essa joça me forçou a voltar aqui...
tenho a vontade insegurável de voar através da fria brasília nessas madrugadas, sentindo na espinha a solidão cósmica da cidade.
a noite parece que tem gritado mais alto nos últimos dias, a ponto de não me deixar dormir, não importando o quão cedo eu tenha acordado.
tenho preguiça.
quero tocar, pego o violão e não sai merda nenhuma.
me sentindo o estorvo mais estúpido.
sei que solidão é egocentrismo, mas fodam-se copérnico, galileu e a patota toda.

Após um longo e tenebroso inverno...

...quando abre-se a cortina
surge a luz repentina
a quebra da apatia
o despertar da agonia
a esperança enclausurada
enfim é libertada
bate asas, voa alto
se afastando do asfalto

(preciso escrever mais... incentivem-me)

domingo, junio 26, 2005

.

.ponto esbarra trave/
ex-trave - ssão
caído no chão __
@rroba trinca*
a garota pisca ;
e o pai de longe
tsc tsc tisca ¬¬

lunes, junio 20, 2005

Poema feio

Flor amarela

De maracujá

Pintura aquarela

Do sol, ao luar

Misturo arroz e centeio

Com um beijo, para ela

Faço meu poema feio

Com amor, sem receio

Com sabor de sirigüela

E cheiro de jasmim

Com umas rimas no meio

E uma no fim

miércoles, junio 15, 2005

Contra-capa

Digo e afirmo que da minha não-falsa porém pura personalidade crítica estética quase literária que cospe raspas de carbono entre dois azuis do papiro moderno e contemporâneo que guarda o vômito inócuo da beleza ou tão-somente destreza da inspiração que inspira sólidas marionetes chamadas Marias e transpira orvalhos de lágrima abstrata por elas, e elas zipadas e voluntariamente cegas em microporos entupidos e engasgados, nem entendem a sutil paulada que ofereço a seus botões e lamentam o inútil que é útil, só sai merda.

martes, junio 14, 2005

Casca

Por fora há uma casca mais dura que noz madura que perdura sob tortura permanecendo inquebrável até que quebre, pois tudo cede mas não se mede por grandezas tão escalares ou vetoriais, e sim com o constante impacto cujo baque de dor só retrocede quando racha e se libera como libélula expondo a essência mais intrínseca do âmago do que realmente é, e nada mais é do que algo não frio e forte como a membrana anterior, mas um simples vaso de lágrimas feito de porcelana, vaso lindo, vaso novo, mais fino que casca de ovo e tão triste que transborda ao mais singelo sopro; mas se mantém melancólico sob o mais forte soco.